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Investimentos: De olho na inflação e no ASG

Jorge Wahl

19/10/2021

“Especialmente para os gestores de fundos de pensão é importante olhar os investimentos de forma atuarial, ou seja, com a preocupação de garantir o poder de compra de seus recursos lá na frente”. Esse foi um dos pontos destacados na apresentação feita por Bruno Brito, Executive Director do BTG Pactual  e Rafael Mazzer, sócio e Portfolio Manager do BTG Pactual Wealth Management, na Palestra Técnica 6, sobre o tema “Gestão de Fundos de Fundos”, durante o 42º Congresso Brasileiro de Previdência Privada (CBPP), que iniciou nesta terça-feira, 19 de outubro.

Detalhando um pouco mais, se insistiu na importância de se ter ativos ligados à inflação. Mesmo em momentos mais difíceis buscar a renda variável, por exemplo, focando em empresas capazes de gerar caixa ou o que se poderia chamar de juros compostos, se desligando na medida do possível do sobe e desce diário.

Quanto aos riscos, é fundamental olhá-los com uma certa dose de flexibilidade, mesmo porque é essencial ter-se parcela do que se investiu menos exposta a riscos. E sem esquecer que as classes de ativos mudam sob esse aspecto e até a asset alocation pode mudar com a evolução do juros real, obrigando o gestor a seguir numa outra direção. Recomenda-se também ter-se uma visão integrada do mercado local e global.

Ambos atuam no BTG à frente de uma equipe de 30 pessoas mais voltada para o portfolio solutions e, a partir de São Paulo, Rio e NY, operando de forma a mais independente possível da instituição.  O objetivo é juntar  os melhores instrumentos a uma intensa prestação de serviços.

Outros aspectos ressaltados foram a importância da disciplina na execução, entender que no longo prazo as chances de melhores resultados são maiores,  compreender os nossos pontos fortes e fracos no momento de tomar decisões e saber que  em algum momento teremos que tomá-las mesmo dispor de todas as informações para tanto.

Investimento sustentável –  Na Palestra Técnica 8, dedicada ao tema “Investimento Sustentável: da Teoria à Implementação”, Cindy Shimoide, Head de Consultoria de Investimentos Multi-Ativos para a América Latina da BlackRock, mostrou como os critérios de investimentos alinhados à defesa do social, do meio ambiente e da melhor governança já afetam os resultados das alocações. “Cada vez mais as métricas apenas financeiras perdem espaço e o ASG ocupa o seu lugar”, observou Cindy,  chamando a atenção para os ativos intangíveis e nem sempre percebidos. “As ações de empresas que emitem menos carbono trazem no médio e longo prazo maior retorno do que as demais”, explica.

E quem perceber mais cedo essa mudança poderá ampliar em muito os seus ganhos, uma vez que, no entendimento de Cindy, os preços dos ativos ainda não estão conseguindo refletir o peso que os fatores ASG já tem e o ainda muito maior que terá no futuro. “É uma janela de oportunidade que se abre no presente, até porque a velocidade dessas transformações estão ganhando ainda mais velocidade”, concluiu.

A segunda palestrante, Priscila Melo de Carvalho, Diretora de Investimentos e AETQ da Funepp (Fundação Nestlé), sublinhou o fato de a sua entidade não estar tendo dificuldades em ver essa visão ASG compartilhada por conselheiros e participantes.

Segundo ela, para isso muito vem contribuindo a preocupação da Funepp  em alimentar os processos decisórios de muita informação de qualidade, com a máxima transparência possível.

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