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Impactos da digitalização e mensuração de fatores ESG nos investimentos são temas de palestras técnicas

Débora Soares

20/10/2021

A crescente digitalização e engajamento com a agenda ESG geram impactos relevantes para as empresas investidas pelas entidades fechadas de previdência complementar. Também produz soluções que já permitem aos investidores institucionais mensurar de forma padronizada os fatores ESG nessas companhias e tomar melhores decisões. Esses tópicos foram abordados nas Palestras Técnicas 9 e 11 realizadas na manhã desta quarta-feira (20) no 42º Congresso Brasileiro de Previdência Privada (CBPP).

As palestras técnicas acontecem das 9h às 12h45, de forma simultânea, nos auditórios AZ Quest 2 e AZ Quest 3. Clique aqui para acessar a programação.

Impactos da digitalização – “A digitalização e seu impacto nas empresas de consumo e de energia” foi o tema da apresentação realizada por Carolina Rocha e Paulo Ghedini, Sócios da Perfin. Os palestrantes mostraram como pandemia foi a grande mola propulsora da digitalização de diversos setores da economia.

O setor de energia brasileiro vive uma revolução “verde”apontou Carolina em sua apresentação. A transformação em curso está apoiada em três pilares ou três D’s: Descarbonização, Descentralização e Digitalização. O primeiro pilar está relacionado crescimento das fontes de energia renováveis alinhado às metas de governos e organizações para a neutralidade de CO2. Até 2030, as fontes solares e de energia eólica contribuirão para a adição de 20 GW dos 28 GW previstos para o aumento de capacidade do sistema, destacou ela.

Junto ao crescimento das fontes renováveis está a descentralização, em um contexto em que a comercialização de energia no mercado livre cresce, assim como o poder de escolha do consumidor sobre quais fontes usar (seja por geração própria ou usinas próximas de sua casa), com a evolução da geração distribuída. Por fim, a digitalização torna tudo isso possível, ao conectar todas essas tecnologias e temas do sistema elétrico, possibilitando melhor monitoramento dos equipamentos e maior eficiência em toda a operação.

“Estamos em um momento muito importante no Brasil em que a questão da crise hídrica bate em nossa porta e pressiona os preços de energia para cima. Então, não é a única razão, mas isso reforça o senso de urgência para que essas mudanças e esses pilares passem a ser pontos centrais para as revoluções que precisamos fazer no sistema elétrico”, destacou Carolina.

Impactos na estratégia – “A digitalização muda a forma como consumidores e empresas interagem”, acrescentou Paulo Ghedini, ao ampliar a discussão para companhias ligadas a consumo e varejo. “Isso muda o tipo de serviço ou produto que é ofertado, o que, por sua vez, muda completamente as estratégias que as empresas precisam ter para obter lucro econômico no longo prazo.

Essa revolução digital foi acelerada pela pandemia de COVID-19 – a penetração do e-commerce, por exemplo, cresceu em 2020 o equivalente a três anos – e mostra-se um caminho sem volta, notou o sócio da Perfin. Nesse cenário, as barreiras de entrada foram diminuídas com a redução do custo de aquisição do cliente e necessidade de capital investido. Novos produtos e serviços emergem com a tecnologia digital tornando-se fator de diferenciação e as fronteiras de cross-selling se expandindo. E a competição se amplia para players globais com serviços melhores e de menor custo.

Somam-se a esse cenário o “efeito rede” – a corrida das empresas para ganhar escala ampliando a base de clientes – e a possibilidade de melhores produtos e serviços por meio de dados fornecidos pelos consumidores. “Com a digilitalização, está mais barato para as empresas chegarem até vocês, com maior variedade de oferta e menor custo, e a competição faz a qualidade desses produtos melhorarem. Ganham todos: os consumidores e as melhores empresas. Perdem aquelas que ficarem para trás”, concluiu Paulo.

Mensuração dos fatores ESG

Na palestra “Como separar o ruído do sinal em ESG?”, o CEO da Harmony Analytics, Paul Viera, compartilhou sua experiência sobre os desafios enfrentados pelos investidores institucionais em mensurar os fatores ESG (ambiental, social e de governança) nas empresas investidas e engajá-las no avanço dessa agenda. Há 20 anos ele fundou uma asset– a Earnest Partners, que hoje gere US$ 14 bilhões – e se deparou com o desafio de ter uma metodologia para mensurar os riscos e ativos latentes ligados ao ESG, que muitas vezes não apareciam nas demonstrações financeiras.

A resposta a desafio levou à criação da Harmony Analytics, plataforma oferecida a investidores institucionais que contempla os perfis ESG de mais de 10 mil companhias, analisadas sob uma abordagem sistêmica baseada em ciência de dados e algoritmos, a partir de dados compilados de fontes confiáveis do mercado. Assim, os investidores podem identificar os componentes ESG mais aderentes aos valores dos seus stakeholders e estabelecer uma base de comparação entre diferentes companhias, com padronização e modelagem preditiva, possibilitando ainda o engajamento com as empresas e o monitoramento de sua evolução na adoção dessa agenda.

Fricção e performance – A companhia desenvolveu o Coeficiente de Fricção, ferramenta que classifica as companhias conforme seus riscos (maior ou menor fricção) de enfrentar problemas em temas ligados ao ESG.

“Quando uma companhia é menos aderente aos princípios ESG, ela terá mais ‘fricção’ e sua vida provavelmente será mais difícil no futuro. Quanto menor a fricção, menores as dificuldades que enfrentará e maiores as chances de sucesso”, explicou Paul.

Questionado na sessão de perguntas sobre a crença de alguns atores do mercado de que incluir fatores ESG na estratégia de investimentos poderia prejudicar a obtenção de maiores retornos, Paul foi categórico ao dizer que os dados revelam exatamente o oposto. “Identificamos que as companhias com melhores perfis ESG apresentam menos fricção e acabam entregando melhor performance – ou alfa positivo no contexto de investimentos. E as com os piores perfis têm performances piores”, notou Paul.

“Assim, para entregar melhores retornos é preciso considerar os fatores ESG, pois eles permitem identificar novos riscos e oportunidades – com o benefício incidental, que pode ser principiológico, de se estar do lado certo da corrente, associado a todos nós que queremos um planeja mais justo e saudável”, completou o CEO da Harmony.

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