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Diversificação de investimentos com portfólios customizados e ativos da economia digital

Débora Soares

21/10/2021

A importância da customização dos portfólios e as oportunidades da economia digital foram temas abordados nas Palestras Técnicas 18 e 20, realizadas nesta quinta-feira (21) no 42º Congresso Brasileiro de Previdência Privada. As palestras técnicas acontecem das 9h às 12h45, de forma simultânea, nos auditórios AZ Quest 2 e AZ Quest 3. Clique aqui para acessar a programação.

Customização vai além da conjuntura – A palestra “A importância da customização dos portfólios e processo de seleção de gestores locais e internacionais” foi realizada pelos palestrantes Guilherme Anversa, gestor de mandatos institucionais, e Artur Wichmann, CIO da XP Advisory. Ao contextualizar o tema, Arthur discorreu sobre o panorama econômico mundial, cuja perspectiva é de crescimento acelerado e algum nível de inflação decorrente de economias hiperestimuladas e o choque de oferta gerado pela desconexão das cadeias de produção. Já no panorama brasileiro, há preocupações grandes com choques de custo de capital e a trajetória fiscal. 

Contudo, o processo de customização e em especial de internacionalização dos portfólios, ressaltou Arthur, tem muito menos a ver com aspectos conjunturais e muito mais a ver com fatores estruturais. “Falamos para os nossos clientes diversificarem independente da sua visão de Brasil. Por uma questão simples: o país não tem o monopólio das boas empresas e dos bons investimentos. Somos menos de 1% do valor de mercado das empresas globais somado. Será que o investidor não deveria ter mais do que 1% de suas ações fora do Brasil? Eu acho que sim”.

Novos modelos de negócios – Há mais dois fatores importantes para que as entidades fechadas de previdência complementar diversifiquem os investimentos, ressaltou Arthur. O primeiro é a possibilidade de manter o mesmo nível de retorno com um menor risco no portfólio ou manter o nível de risco com retornos maiores. 

O segundo fator é o surgimento de novos modelos de negócios no mundo, nos quais o retorno sobre empresas de maior capital intelectual começou a subir de forma muito mais acelerada que os de negócios focados no acúmulo do capital físico. “Não há nenhuma empresa hoje no ‘clube do trilhão’ que não esteja fortemente exposta ao capital intelectual”, ressaltou Arhur. Ele acrescentou que a diversificação internacional possibilita o acesso a setores de crescimento exponencial e ainda pouco representados no Ibovespa, como tecnologia e saúde.

Fronteira eficiente – “Quando pensamos na diversificação global e na customização de cada um dos portfólios que criamos, a diversificação somada ao crescimento e a adição de novos modelos de negócios faz com que, por definição, a fronteira eficiente suba para os investidores. Assim, com a mesma unidade risco você tem mais retorno ou para a mesma unidade de retorno você tem menos risco”, sublinhou Arthur. 

Em complemento, Guilherme Anversa ressaltou o fundamental papel do gestor em ouvir, entender as necessidades e estar próximo dos times das EFPCs, sempre propondo soluções e buscando alternativas de investimentos para o melhor balanceamento dos portfólios, de acordo com o mandato recebido. “Tudo isso em um processo de revisão constante, revisitando o mercado econômico, contexto político etc. Revisitar o cenário de forma constante é fundamental para o nosso processo de governança funcionar e conseguirmos criar portfólios eficientes”. 

Guilherme também destacou uma novidade: a XP já tem o primeiro mandato oficial com uma fundação dedicado à temática ESG, anunciado na semana passada. “Essa transformação vinda dos gestores e das fundações é um passo importante para implementarmos essa agenda de maneira bastante efetiva”, concluiu.

Diversificação com ativos da economia digital

A palestra “Políticas de investimentos de fundos de pensão x potenciais oportunidades na economia digital”, foi apresentada por Alvaro Sampaio Mendes, Coordenador de Trading Desk da MezaPro, considerado um “private” para clientes de alta renda em investimentos na economia digital, integrante da holding 2TM. 

Apetite de investidores institucionais – Alvaro mostrou exemplos de como o mercado tradicional de investimentos já está utilizando instrumentos para criar exposição em ativos da economia digital. A primeira grande entrada de investidores institucionais nesse mundo foi com a criação dos trusts da Grayscale, com balanço 100% alocado em bitcoin, aprovado pela SEC (comissão de valores mobiliários americana) e listado na Nasdaq. Há grande apetite de corporate treasures e hedge funds por esse tipo de produto regulado, e até 28 de agosto, a Grayscale já contava com US$ 30 bilhões sob gestão (AUM). 

Outros instrumentos utilizados para investimento na economia digital são os índices crypto-relateds e ETFs que permitem exposição indireta a criptoativos. São exemplos índices de equities e produtos estruturados nos quais os ativos subjacente são cestas de companhias cujas tesourarias possuem alocação em bitcoin, apresentando correlação alta com esse mercado. 

No caso dos ETFs referenciados em índices de criptomoedas, há o caso de sucesso no Brasil do HASH11, que começou a ser negociado em abril deste ano, e se tornou o terceiro maior em volume pela B3, com R$ 2,2 bilhões (AUM). Nos Estados Unidos, o ProShares Bitcoin Strategy – primeiro ETF de futuros de Bitcoin, listado na NYSE na última terça-feira (19), registrou o segundo melhor desempenho de estreia da história de um fundo de índice no país, ao registrar quase US$ 1 bilhão em volume negociado. 

Avanço brasileiro – Embora a regulação nacional ainda não permita aos fundos locais a alocação direta (spot) em criptoativos, avanços importantes têm sido realizados para ampliar a oferta de produtos relacionados aos investidores. Alvaro lembrou que, desde agosto, a B3 passou a aceitar o registro de operações de derivativos de balcão e Certificados de Operações Estruturadas (COE) referenciados indiretamente aos criptoativos.

O especialista acrescentou que é possível para as EFPCs iniciarem sua exposição a ativos da economia digital por meio de instrumentos tradicionais, em aderência às diretrizes da Resolução 4.661/2018. Dentre as categorias que poderiam ser exploradas, por exemplo, estão renda variável, produtos estruturados e investimentos no exterior. 

Sobre a consistência do mercado de criptoativos, apesar de ainda ser considerado embrionário frente ao seu potencial – já são US$ 3,3 trilhões em market cap -, Alvaro destacou palavras de relatório recente do Bank of America de que este se tornou “grande demais para ser ignorado”. “Está surgindo uma classe de ativos interessantes, que nasceu com uma proposta descentralizada e está só no começo”, arrematou. 

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