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Palestras destacam oportunidades da diversificação em small caps e digitalização da jornada do participante

Débora Soares

19/10/2021

Com mais de 4.500 participantes inscritos, o 42º Congresso Brasileiro de Previdência Privada iniciou nesta terça-feira (19) sua programação de Palestras Técnicas. Ao longo dos quatro dias do evento, que segue até sexta (22), serão realizadas 32 dessas palestras no total para os congressistas, no horário das 9h às 12h45, com transmissões simultâneas nos auditórios AZ Quest 2 e AZ Quest 3.
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Diversificação com small caps – A palestra “As sete lendas do mercado sobre small caps” inaugurou as apresentações no auditório AZ Quest 2. Ela foi conduzida por Frederico Mesnik, Presidente da Trígono Capital, e Vinicius Bueno Lima, Sócio Comercial da gestora, que tem forte viés em small caps, estratégia focada no longo prazo, e atualmente cerca de R$ 2,2 bilhões sob gestão.

Quebrando mitos com fatos e números do mercado de renda variável, Frederico apresentou estudos técnicos que mostram a comparação entre o “TRIG” – índice “puro sangue” de small e micro caps criado pela Trígono, composto por 85 empresas com ampla diversificação setorial, e que terá um ETF lançado no mercado nas próximas semanas – frente à performance dos índices Ibovespa (IBOV) e de Small Caps (SMLL) da B3 nos últimos 13 anos. 

Menor risco, mais retorno – Com relação à primeira lenda de que essa classe teria maior risco, os dados mostraram que ao longo das quatro grandes crises atravessadas pelo mercado desde 2008, as small caps, além de terem performado com risco menor (abaixo de 25) em comparação ao IBOV (28), apresentaram retorno de 481% (TRIG) e 167% (SMLL), frente a 63% do Ibovespa. Com relação à lenda da menor consistência econômica, o presidente da Trígono mostrou que as companhias do índice TRIG apresentaram 92% de janelas trimestrais positivas, batendo o Ibovespa. E, derrubando uma terceira lenda, ele mostrou que fazer market timing não é recomendado, pois pode levar o investidor a perder rendimentos.

Recuperação após queda – Um quarto mito posto à prova foi de que as smalls demorariam mais para se recuperar do que as grandes empresas após uma queda do mercado. Os dados revelaram que em três das quatro últimas grandes crises, as small caps se recuperaram com o dobro ou mais de velocidade que o IBOV. A exceção foi na crise do coronavírus em 2020, em que o tempo de retomada foi longo, mas seguido por uma safra de balanços excepcionais a partir de agosto. “Todos os nossos fundos encerraram o ano positivos”, destacou Frederico. 

Governança e liquidez – As três últimas lendas demistificadas foram que as smalls seriam economicamente mais frágeis, não teriam governança e mostrariam baixa liquidez. O palestrante mostrou que as smalls no índice TRIG possuem melhor saúde financeira e mostram-se menos alavancadas que as companhias listadas no IBOV. Com relação à governança, quase 90% das companhias no TRIG estão listadas no Novo Mercado, nível mais elevado de governança da B3, versus dois terços do SMLL e 57% das que compõem o IBOV. Com relação à liquidez, as small do índice TRIG possuem R$ 107 bi em free float e liquidez diária média de R$ 20 milhões. 

Frederico ressaltou que a Trigono já conta com 15 conselheiros independentes indicados nas empresas investidas, influenciando positivamente na governança, e faz gestão ativa com estratégia long only, resultando em fundos de alta performance e consistência no longo prazo, alinhados aos objetivos das EFPCs na diversificação de seus investimentos. 

Digitalização da jornada dos participantes 

“O futuro é agora e ele é digital” foi o tema da palestra técnica conduzida por Renata Coutinho, COO da vertical de Previdência da Sinqia, fornecedora de tecnologia para o segmento e que conta com 126 EFPCs com clientes. A apresentação mostrou como a jornada dos participantes se transformou no último ano, com a reinvenção de processos concorrendo em paralelo com alterações complexas decorrentes de diferentes legislações e normativos, como a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais – LGPD e a Resolução CNPC nº 32/2019.  

A pandemia de COVID-19 provocou mudanças nas diferentes jornadas dos participantes, impactando aspectos como segurança, experiência do cliente e custos para as entidades, notou Renata, que possui formação em tecnologia e 18 anos de experiência no setor previdência, incluindo passagem pelo cargo de Diretora de Benefícios de uma EFPC.

Jornada da adesão – Renata observou que a experiência da adesão – primeiro contato entre EFPC e cliente – antes exigia a impressão e preenchimento de muitos documentos pelo participante, realização de cálculos manuais e trâmite físico de papéis que depois seriam processados pela entidade, levando ao todo cerca de dois meses para sua conclusão. 

Após a pandemia, as entidades aceleraram seus processos de adesão online. Segundo Renata, a Sinqia registrou um aumento de 65% nas demandas por esses projetos em 2020. “Hoje o participante consegue realizar o processo por app mobile ou portal, fazer simulações e escolher suas opções em um ambiente digital agradável, com uma melhor experiência, e as informações transmitidas de forma instantânea para a entidade, de forma online, segura, menos custosa e aderente à legislação”, destacou a palestrante. 

Jornada de manutenção do plano – A digitalização também trouxe ganhos na experiência dos participantes que desejavam, por exemplo, elevar seus percentuais de contribuição ou mudar seu perfil de investimento, de acordo com os normativos mais recentes. Os projetos relacionados à transformação digital desse aspecto cresceram 78% na base de clientes da Sinqia, observou Renata. “Na nova jornada basicamente não se tem jornada: o participante tem autonomia para entrar no app ou no portal e realizar isso de forma automatizada, com rastreabilidade das informações e melhoria do processo operacional para a entidade”.

Prova de vida e aposentadoria – Outra jornada impactada pela digitalização é a da prova de vida e recadastramento – que agora pode ser feita, por exemplo, via reconhecimento facial com app integrado ao ERP da entidade. Mas segundo Renata, a jornada em que ainda há mais espaço para evolução é a mais importante: a da aposentadoria. A tecnologia também colaborou para melhorar essa experiência, evitando deslocamentos do grupo de risco de pessoas idosas. Já é possível a realização desse processo de forma digital, incluindo simulações e opções sobre valor e forma de recebimento do benefício via portal. Além disso, outros institutos como desligamento e resgate também já podem ser digitalizados. 

A apresentação da Sinqia trouxe ainda dados relevantes sobre o momento de transformação do setor: houve aumento de 42% do engajamento dos participantes nos canais digitais e de mais de 200% nos aplicativos mobile no último ano, segundo dados da Sinqia, que possui 340 mil participantes em sua base de entidades clientes. Contudo, ainda há grande espaço para evoluir: dessa base total, apenas 43% das pessoas acessam os portais e apenas 12% o aplicativo. 

Ajudar os participantes a superarem barreiras culturais e se engajarem nessa transição para o digital é o grande desafio para o setor, ressaltou Renata. “As entidades precisam investir em educação e mudar processos para fomentar esse engajamento, que traz benefícios para o próprio participante”, assinalou. 

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